A forma das coisas
video/performance

registro da proposição do objeto performático - A forma das coisas / espaço.cc


A forma das coisas / A coisa das formas busca apresentar o mundo subjetivo dos objetos expondo as relações de poder que eles adquirem na sua coexistência com a experiência humana. Na performance os objetos como simbolos das relações de poder expressam esse mundo subjetivo sobre aqueles que interagem com ele: dominação, submissão, materialidade e conotação na sociedade são colocados em questão com a intenção de resignificar essas relações e expurga-los de sua obrigação frente a um outro.

A performance busca entender como a materialidade de alguns objetos podem desencadear sensações e servir de vestígios de experiências negativas e como estas experiencias podem ser reconfiguradas cirurgicamente em uma retratação dos mesmos com o seu próprio desenho e o fim em que foram criados. Uma retratação que procura por um design menos corporativo,  reconfigurando a sua propria natureza em prol de uma existência expurgada dos seus interesses puramente monetários do que existenciais. Dentro dessa idéia, crio está alegória cirúrgica onde faço pequenas modificações em corpos autoritários, frios, duros, binários, que foram designados para uma função que por vezes determina e se impôe a própria subjetividade daqueles que os usam.

O video foi exibido em dezembro de 2018, em uma exposição que tive a oportunidade de montar em um escritório corporativo. Nessa experiência propus um circuito de performances dividida em 4 etapas pude exercitar com os espectadores formas de emancipar o objeto.



The shape of Things / The thing of the shapes seeks to present the subjective world of objects by exposing the power relations they acquire in their coexistence with human experience. In this article we present some of the concepts of power relations and their relations with each other. In this article, we present a discussion about the effects of dominance, submission, materiality and connotation in society.

Performance seeks to understand how the materiality of some objects can trigger sensations and serve as traces of negative experiences and how these experiences can be reconfigured surgically into a retraction of the same with their own design and the purpose in which they were created. A retraction that seeks a less corporate design, reconfiguring its own nature for a purged existence of its purely monetary rather than existential interests. Within this idea, I create a surgical claim where I make small modifications in authoritarian bodies, cold, hard, binary, that have been assigned to a function that sometimes determines and imposes the very subjectivity of those who use them.


cadeiras-uniformes


What would a truly democratic encounter between truly equal beings look like, what would It be - can we even imagine It? - Timothy morton, the ecological thought


screenshots dos vídeos - A forma das coisas (7:52min) e a Coisa das formas (2:16min) exibidos durante performance

flyer da exposição


A experiência de performance foi dividida em quatro etapas: O peso do papel, O papel do peso, A forma das coisas e A Coisa das formas. Para esta proposição anti correlacionista  é sugerido uma emancipação dos objetos através da experiência humana/não humana. Por isso em todas as etapas as performances são feitas junto ao expectador.

Etapa 1: Em O Papel do Peso, eu utilizo a pedra, que dentro do escritório tem essa função mínima quase inexistente em uma época que tudo é digital, entrando em uma categoria de objeto decorativo. Por isso eu determino que o Peso de papel é um infiltrado da natureza dentro do escritório. Nesse contexto coloco a pedra como objeto-terrorista: Fazendo um paralelo com a petrologia, existem diversos agentes que transformam as rochas e mudam a sua forma original, o protólito. Exemplos dessas pedras são o Quartzito, o mármore, a ardósia e o xisto. Essas pedras, que fazem parte do grupo de rochas Metamórficas, reduzindo ao meu interesse são pedras alteradas pela própria natureza, sem o aspecto humano envolvido. Doze pedras foram coletadas para a exposição, e em cada uma foi dado uma característica que se refere a um agente transformador, como por exemplo a temperatura, a pressão e os fluidos. Na proposição esse seria a verdadeira função dos pesos de papel, de destruir e construir os papeis delegados aos humanos, fazendo uma ruptura com tudo que coisifica o ser humano em termos burocráticos dentro da sociedade.





Na Segunda etapa com performance da Caroline Maria como a “funcionária” da galeria/escritório, ela faz anamneses com os convidados os preparando para as “cirurgias sociais” e direcionando para que o expectador escolha uma pedra agente de transformação para esta segunda etapa: O Peso do Papel. Nessa fase foram feitos 12 papeis constituídos de gesso, grandes e pesados. Criando através de um realismo fantástico um peso material do papel, em que cada um deles tem serigrafado algumas características que tornam o ser humano um ser funcional para a sociedade como por exemplo: dinheiro, identidade, CPF, certidão de nascimento, CNH, diploma, Bíblia, o papel tem um acumulo fisico e de representação. Através da pedra como essa espécie de Teorema de Pasollini, esse agente de ressignificação de hábitos Burgueses, o expectador é levado a uma mesa para destruir o papel de gesso o quebrando com a pedra escolhida e posteriormente a reconstrói com uma massa de biscuit, fornecida pela funcionária. Essa massa representa uma natureza outra. Após esse circuito de atividades delegada pela “funcionária”, o expectador esta pronto para entrar na sala 1, onde se passa a cirurgia de reparação do objeto, que é a etapa A forma das coisas.





Nessa terceira fase o expectador tem uma experiencia junto ao video, que busca formas de emancipar a cadeira: objeto/dispositivo que ativa uma memória destrutiva do sujeito, de submissão e de uma relação de autoritarismo que distorce a sua auto imagem. Sou o a minha função ou a minha subjetividade? Ela se pergunta. Se sou bonita, sou bonita pra quem? Da mesma forma que na modernidade existe a ideia da maioridade do ser humano, aqui proponho uma maioridade do ser objeto. Se Kant defendeu esse esclarecimento no Iluminismo, vivemos um momento obscuro de menoridade em que um conservadorismo avassalador busca soluções através desse pai autoritário, por isso proponho um retorno a uma natureza agente de si própria, que se liberta das necessidades do homem e de coexistir no mundo de forma mais democrática. 




No fim, na etapa A Coisa das formas, proponho formas de objetos auto suficientes, através da ideia de um corpo dissidente. Se no corpo dissidente proposto no vaso, a performance não deve ser um objeto mas uma subjetividade materializada do objeto, dessa forma é celebrado uma emancipação da normatividade do mesmo


desenho da cadeira modificada
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