Exhibitions / News

Mini e uma noite
Novembro, 2019

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Gansho apresenta a primeira coletiva de colaborações com artistas na sobreloja do Condomínio Conde Sílvio Penteado, popularmente conhecido como Copanzinho, por dividir a rua com o célebre vizinho. Mini e uma noite é uma exposição sintoma da nova pinturinha brasileira, reunindo artistas que interceptaram o que há de anedótico nos modelos e protocolos da cultura visual vigente. Estão à fronteira dessa linguagem e no interior dos signos. No espaço expositivo, uma seção do edifício em escala 1:10 materializa-se como maquete que transborda na rua e nos transporta para o outro bloco do prédio. A maquete é também uma tentativa de preencher o Bar do MAM que se instalou lá em 1978. Originalmente uma iniciativa informal da Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna para promover um pólo de produção cultural no centro, está à deriva desde 2001, sob tutela da Secretaria de Cultura.







Reality show
Outubro, 2019

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A menina mais feia da turma
Outubro, 2019

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Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde.

(VINÍCIUS DE MORAES, “Receita de mulher”)

A palavra grotesco é derivada de grotto — em latim, gruta ou pequena caverna — e teria sido utilizada pela primeira vez no século XIV, em Roma, quando escavações levaram, por acaso, a salões e corredores de um antigo palácio, construído mil e quinhentos anos antes. Entre os itens soterrados, estavam pinturas, imagens e esculturas de figuras híbridas: pessoas ou divindades que eram metade gente, metade animal ou figura mítica.

As formas que hoje nos parecem monstruosas habitavam o imaginário da Antiguidade Clássica com certa naturalidade. Quando esses objetos deixaram o mundo subterrâneo, o mundo aqui de cima havia se transformado de tal modo que foi preciso criar uma expressão nova para designá-los.

O termo grotesco, que acabou se tornando sinônimo de esquisito, bizarro, disforme, também foi incorporado pela literatura. As manifestações grotescas podem ser observadas em diferentes movimentos literários, sempre ressignificadas a partir do momento histórico e das convenções sociais. Portanto, o grotesco é uma categoria não-estanque, uma verdade sempre provisória, que revela muito da cultura de seu tempo.

Quando Emma Bovary diz “como é feia essa menina”, no auge do realismo francês, o estranhamento que a filha causa à personagem de Flaubert é certamente diferente do estranhamento que qualquer figura monstruosa causaria. A filha de Emma é uma criança considerada normal para os padrões de sua época, mas, a mãe, que sente dificuldade em se ligar afetivamente a ela, d um incômodo que só consegue externar nessa afirmação brutal.

Em 2019, quando Elena Ferrante retoma a formulação em seu novo romance (“Dois anos antes de sair de casa, meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia”), o deslocamento da ideia de estranho para o que é familiar ecoa o efeito insólito, como propôs Freud no ensaio “O inquietante”, publicado cem anos antes.

Os comentários também têm um recorte de gênero que não poderia passar despercebido: tanto a filha de Emma quanto a narradora de Ferrante são mulheres, para quem a feiúra ainda soa como uma espécie de pecado mortal. A célebre frase de Vinícius de Moraes, abertura do poema citado na epígrafe, ilustra a gravidade do delito: “As muito feias que me perdoem. Mas beleza é fundamental”.

Quando o atual presidente do Brasil faz um comentário sobre a aparência da esposa do presidente da França de forma pejorativa, a aberração de seu gesto parece menos incômoda do que o corpo e o rosto de uma mulher. O que deveria ser bizarro tem sido naturalizado pelo discurso, tecendo a vida cotidiana e estampando as manchetes dos jornais.

Nessa exposição, com curadoria de Juliana Bernardino, 35 artistas apresentam trabalhos que transitam pelo abjeto e representam um mal-estar: “O momento é feio, gore e insalubre. E o que a gente tem para dizer também é bem grotesco”, diz Bernardino.

A partir de uma sobreposição do plano coletivo e do plano subjetivo, A menina mais feia da turma procura dialogar com tensões profundas, atualizadas a partir do horror próprio que assombra o nosso tempo.

Fabiane Secches é psicanalista e doutoranda em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo

Abertura dia 19 de outubro. Exposição acontece até dia 09 de novembro.

Artistas participantes:

Abajur
Angela OD
ANNA
Aurora Bernardini
Be Lopse
Bia Leite
Caroline Maria
Carolina Wan
Camila Soato
Eduarda Freire
Élle Bernardini
Felipa Queiroz
Fernanda Azou
Fernanda Galvão
Fernanda Vallois
Fotos dos Outros
Gabriela Monteiro
Heloisa Brandão
Heloisa Pajtak
Isaac Ebner
Julie Dias
Julia Milward
Juliana Bernardino
Lívia Aquino
Lyz Parayzo
Luisa Callegari
Manoela Cezar
Maria Livman
Mari de Camargo
Mari de Queiroz
Marie Queau
Mariana Manhães
Marina Ribas Borges
Mayla Goerisch
Nicole Venturini
Pepi Lemes
Roberta Uiop
Yan Copelli





ANTES TARDE DUKE NUKEM
Agosto, 2019

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Ana Almeida
Ana Frango Elétrico
Arthur Chaves
Brnuo
Cléo Dobberthin
Daniel Albuquerque
Davi Pontes
Felipa Queiroz
Felipe barsuglia
Franco Palioff
Gabriel Secchin
Gabriela Mureb
Gustavo Torres
Iah Bahia
Ingrid Kita
Janina Mcquoid
Juliana Araújo
Lucas Osório
Mariana Leico
Mayana Redin
Pri Fiszman
Raiana Moraes
Rafael Alonso
Rafael Salim
Victor Mattina
Yan copelli



Oi pessoal, tudo bem?

A exposição ANTES TARDE DUKE NUKEM aporta em uma antiga casa onde já funcionaram clínicas de medicina diagnóstica. Mesmo antes da montagem, da chegada e infiltrada de trabalhos de vinte e seis artistas de meios e suportes variados, coisas ali arquivadas se multiplicavam. A cada armário aberto e sala desbravada: chaves, pacotes, plásticos, papéis, extintores, pias, lixo tóxico.

Diferentes trabalhos se espalham pelas treze salas e entremeios do lugar e não se limitam somente à operar em função de um determinado contexto. É certo que o espaço em questão tem considerada relevância, mas o sistema polifônico que se forma entre as obras supõe um movimento que reverbera para fora dos contornos dados pela experiência espacial. Os elementos que o constituem estabelecem mínimos pontos de contato, entre si e com o lugar, que podem ser percebidos de forma sensível e conceitual por quem os vê / ouve / experimenta.

Cabe ao espectador deslizar e incrustar-se nas múltiplas possibilidades e estratégias presentes na exposição: coisas de diferentes estados e naturezas em relação/contaminação, as vezes compondo com materiais locais, usos insubordinados de objetos, explorações do campo pictórico através de narrativas variadas mas em alguma confluência, texturas em profusão, vídeos, sons, assemblage, performance... Não há um privilégio de uma ideia sobre a outra quando tudo forma uma espécie de organismo composto por diferenças em relação. O impacto conceitual, cromático e estético desse sistema atua na relativa assepsia anterior à (ex) clínica. Uma miríade de novas rotas remontam o lugar e o reterritorializam de modo contingente.

É certo que espaços não existem só por seus planejamentos e construções arquitetônicas, são eles também simbólicos, carregam processos que comportam riscos de falha, como ocorre de modo análogo à linguagem. Em que medida esse texto pode situar? A palavra aproxima ou afasta? Podem seus significados conceituar de modo efetivo alguma coisa? O que eu tento expressar aqui não dá conta de criar senhas ou é capaz de chancelar qualquer história de um lugar e muito menos definir uma exposição coletiva.

Que as palavras aqui enredadas sirvam mais como algo que se sobrepõe aos trabalhos presentes, que se infiltra ao sistema em curso e também ao espaço, suas histórias ocultas e discursos impregnados. Os termos aqui empregados não propriamente auxiliam e jamais se conformam. No limite, contextualizam e apontam sugestões de percurso por uma rede amplamente aberta e virtual – o conjunto de trabalhos presentes na exposição.

Texto: Daniela Avellar





Parabéns
Julho, 2019

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artistas:
allan gandhi
ana prata
antonio simas
básica TV
bertô
bruno baietto
felipe barsuglia
gabriella garcia
marcelo cipis
marcelo jarosz
natalie braido
pedro caetano
pedro ermel
tereza belfort
yan copelli



Gostaríamos imenso de agradecer a presença imensa de todos
estas pessoas imensas nesta grande festividade a somente as
coisas que estão aqui, agora, neste espaço específico, nesta festa
maravilhosa, nesta comemoração per se, neste espaço
assombrosamente delicioso, neste conluio de maravilhas, nesta
casa dos prazeres, neste abrigo de coisas (in)úteis, neste estado
pleno de euforia, nesta comedida linha de desespero, nesta
explosiva linha festiva, neste dia lindo que beija um largo, neste
afago pleno em cores claras, neste espaço onde metáfora não da
conta, deste risinho amarelo que abraça a todos, desta vontade
fortuita de fenestrar tudo, neste abraço aberto que mata como um
sorriso, nesta vontade inteira de dançar.

Muito obrigado, muito obrigado, pedimos desculpas pelo tom do
discurso proferido aqui, compreendemos como algumas questões
são caras – e antecipadas, a todos os presentes. Sim, é por aí que
entramos. E não, infelizmente acabou o chá. Não, aqui não é a casa
de ninguém em específico, mas a casa de todos em específico. A
porta está ligeiramente aberta a 45 graus para que todos possam
passar por ela, adentrar este convívio, postular dúvidas, entender o
porquê está aqui, não apenas aqui onde você, provavelmente
parado, lê, mas aqui-aqui agora etc, perdoe os movimentos
confusos, é o vinho, mas esperamos que seja clara a nossa
intenção de congestionamento simbólico.
Outra coisa: fica, vai ter bolo, e não se esqueçam de fazer carinho na Lulu.





Treta de Gênero
Junho, 2019

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O programa de exposições Treta é resultado do grupo de acompanhamento de projetos Clínica Geral desenvolvido no Ateliê 397, com mediação de Raphael Escobar e Thais Rivitti, no primeiro semestre de 2019. São três apresentações públicas, em três datas, em que convidamos um crítico de arte para debater os trabalhos realizados a partir de discussões e proposições do grupo nos últimos meses. Em cada dia, serão reunidos grupos de artistas cujos trabalhos apresentam afinidades temáticas.

15 de junho: “Tretas espaciais” Antonio Gama, Bruno Baietto, Marta Masiero, Pedro Ermel
29 de junho: “Treta de gênero” Ananda Trezena, Beatriz Guimarães, Yan Copelli
02 de julho: “Tretas de corpo” Elaine Galdino, Mariana Lachner e Paola Ribeiro





O corpo além do corpo
Março, 2019

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Élle de Bernardini, Lyz Parayzo, Yan Copelli
Curadoria: Carollina Lauriano



"A partir de quando um corpo é considerado existente? O que vale como corpo? Um corpo pode pertencer a alguém? O que acontece quando ele pertence a alguém, mas o proprietário e o suposto sujeito não são compatíveis? Que tipo de subjugação política é essa?". Tais provocações, feitas por Paul B. Preciado no ensaio que integra o livro The documenta 14 reader, problematizam as crises sofridas pelos corpos que não se encaixam em um regime de política de gênero pautada pelo binarismo.

Se para os poderosos mecanismos de legitimação social, a existência de um corpo possível passa unicamente pelo reconhecimento do gênero masculino e feminino; os que transitam entre um gênero e outro passam a operar em um campo de não-reconhecimento no âmbito social. São esses corpos que não existem, ou não se encaixam, ou operam no campo da invisibilidade social e/ou institucional que interessam para os artistas que integram essa exposição. Aqui, Élle de Bernardini, Lyz Parayzo e Yan Copelli dialogam, por meios de suas obras, o que vale como corpo?

A fim de ampliar a conversa sobre identidade de gênero e sexualidade, a exposição questiona como a concepção fluida de gênero está marcada, diretamente, por negociações de poder. Explorando o gênero além do binarismo, os artistas investigam o lugar do mesmo na arte e sociedade por meio de temáticas que englobam violência institucional, contrassexualidade e expressões de identidade fluída.

Ao percorrer o espaço da galeria, nos deparamos com corpos que sim, existem, e estão especulando sobre novas formas e estéticas a fim de contestar ordens repressivas em um momento de grande agitação política. Dessa forma, aqui, repensar o que de fato constitui um corpo serve como gatilho para repensar novas possibilidades de futuro capazes de provocar mudanças radicais.





The Others /  Centro Cultural Brasil - Peru
Março, 2019

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Tokio Galería en colaboración con el Centro Cultural Brasil-Perú y el apoyo de la Embajada de Brasil en Lima. Muestra colectiva Internacional en el marco de las ferias de Arte en Lima.

Olenka Macassi (per)
Sujeta Val (per)
Yan Copelli (bra)
Alessandra Risi (per)
César Augusto Ramírez (per)
Carla Salamanca (per)
Javier Vivas (ven)
Lucas Garsés (arg)
Amna Maria Lozano (col)
Renzo Boggio (per)
Daniel Jimenez (col)
Ivonne Fernanda (per)





Salad days
Janeiro, 2019

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SALAD DAYS is an online exhibition featuring the work of 28 contemporary artists from around the world.

It is winter in the northern hemisphere, and the days are dark. The US government shutdown is the longest in history as Trump decides whether his own nation’s economy is more important than building an immense symbolic wall. British PM Theresa May’s Brexit dead was just smashed in Parliament. I, for one, am feeling a little stretched. We continue to make art, talk about it, teach it, attend art exhibitions or fairs, innovate new projects, and curate shows. Sometimes it feels superfluous to spend so much time finding, sharing, and discussing art, especially when it is not directly addressing, let alone challenging, our current political or socio-economic climate. As I look at work, trends inevitably emerge in imagery, subject matter, technique, and so forth. There are numerous reasons that artists begin working in similar ouevres, ranging from community influence (art school, communal studios, group shows), market factors (what their dealers ask for or what collectors are looking for), but there is also the immeasurable influence of the news, of our endless social feeds. When I notice trends emerge, it indicates what artists are looking at, what they’re feeling, what pressures they’re under, what they wish to utilize, challenge, address, or even escape. As a curator, I feel similarly connected to these pressures or expectations, especially of ourselves as creatives whose voices are made public, and understand the inherent responsibility in that. Am I contributing to a meaningful dialogue if I’m making or curating work that is not overtly political, referencing social issues, or challenging the status quo? A few weeks ago I read artist and educator Paul Corio’s end-of-term letter, which was shared with me by another artist, and I duly passed it along. An excerpt from the final paragraph still rings in my head: "[...] even as you seek increasingly greater subtlety and sophistication in your creative output, never feel embarrassed about expressing the true contents of your hearts, whether it be sorrow or exuberance. Use no irony or filter in its genuine expression, and so long as it is in earnest, let none tell you that it is frivolous or beside the point at our tenuous moment." Paul Corio (in Henri Magazine) Some artwork is political. Some work has a social function, seeks justice, or encourages new thinking and changes to outmoded attitudes. And some work is not about that, but no less with those other types of work. Making, looking, and experiencing artwork as a respite, as much as about the things that challenge us, is essential to being able to continue, not only what we ourselves do, but to move forward, and to maintain a broad, open, and constantly shifting dialogue with others. The work in this exhibition is forward-thinking. It is winter and the days are dark: let us think of spring, of brightness, of the good that we can find when we remember to look for and work toward it.

Kate Mothes Curator, yngspc





A forma das coisas  
Dezembro, 2018

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For the video “The shape of things”aired in December 2018, I created an experimental workshop in a corporative space that aimed to investigate and explore some ideas on speculative realism with the participants.

the video was the primary part of the exhibition and was shown in individual sessions on a isolated room, called “surgery room”. The participant was invited to sit on the same blue office chair seen on the screen and suffered from a surgery on the arm of this chair while the video was played.





Brilho Raro  
Julho, 2018

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Set design in partnership for the play Brilho Raro, and the scenic objects.



CARGO COLLECTIVE, INC. LOS ANGELES, CALIF. 90039—3414